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Newsletter Institucional da Universidade do Algarve Nº 14 - abril de 2013 |
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Editorial
Mas a UAlg está também preocupada com outros públicos, nomeadamente com cidadãos que, no seu tempo, não tiveram possibilidade de ingressar no ensino superior. A sua experiência profissional e outras aprendizagens realizadas ao longo da vida permitem que a universidade lhes abra as portas, através do programa UAlg+23, concurso especial para maiores de 23 anos. Os testemunhos publicados nesta newsletter mostram a importância extraordinária que o ensino superior pode ter na transformação das vidas dos cidadãos e, paralelamente, motivam a UAlg para, estrategicamente, trabalhar na criação de melhores condições de ensino e aprendizagem para os seus estudantes – tradicionais ou não tradicionais.
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Acontecimentos
aconteceu
Sessão Pública de entrega de Bolsas de ExcelênciaA sessão pública de entrega das Bolsas de Excelência, atribuídas aos melhores alunos do Algarve que se matricularam pela primeira vez no 1.º ano...
Seminário inaugural sobre Dieta MediterrânicaA Dieta Mediterrânica em Portugal: Cultura, Alimentação e Saúde” foi o tema do Seminário que se realizou no auditório verde...
Alunos invadiram UAlg em Dia AbertoQual a importância do Dia Aberto? O que pensam os alunos sobre esta iniciativa? Quais as atividades que mais gostaram e qual a importância das mesmas...
Projeto de alunos da UAlg é fenómeno na internet |
OpiniÃo
Estudantes maiores de 23 anos na Universidade do Algarve
Na UAlg entraram por esta via de acesso, entre 2006/07 e 2009/2010, 448 estudantes. São sobretudo homens (60%), com uma maioria entre os 24-34 anos de idade (46%). Mas existem 34% entre os 35-45, 19% entre os 46-57 e até 1% entre os 58 e os 69 anos de idade. Estes estudantes têm um emprego e uma família a requerer atenção (geralmente 1 ou 2 filhos e uma % menor com 3); baixo rendimento familiar (28% das famílias ganham menos de 1000€/mês); os seus pais têm baixos níveis educativos e é muito provável que sejam os primeiros das suas famílias a entrar no ES. Finalmente, estiveram entre 5 a 10 anos afastados de qualquer educação formal – mas alguns voltam ao ensino depois de 15, 20 ou mais anos afastados da educação. Trata-se, numa frase, de típicos estudantes de classe trabalhadora, o que atesta a importância desta iniciativa para a democratização do ensino e para a promoção da mobilidade social.
Podemos revelar alguns dados sobre os principais obstáculos que estes estudantes enfrentam no ES. O primeiro consiste nas imensas dificuldades na gestão do tempo, inscritas num triângulo clássico entre o trabalho pago, as responsabilidades familiares e a vida académica. Assim se compreende que apenas 32% dos estudantes dediquem ao estudo mais de 4 horas por semana. As suas dificuldades são ainda mais intensas quando vivem longe da universidade (30%) e têm filhos (55%). Há consequências negativas para o equilíbrio da vida familiar, dificuldades no apoio aos filhos e sentimentos de culpa associados, mudanças nos padrões normais de socialização e fadiga intensa. Eventualmente, o abandono é considerado ou efetivado.
Uma segunda barreira à participação e sucesso destes estudantes é constituído pela pedagogia universitária. Nesta categoria os resultados mais contundentes dizem respeito aos procedimentos de avaliação (geralmente considerados pelos estudantes como enganadores e pouco claros) e, especificamente, ao feed-back que os docentes (não) dão, relativamente à aprendizagem dos estudantes, à sua performance em testes ou trabalhos. Muitos estudantes que fracassam não sabem porque erram ou o que fazer para melhorar a sua aprendizagem. E assim torna-se quase impossível que progridam.
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ESPECIAL +23
Ana Paula Santos, Jorge Papa, Sónia Jacinto e Ana Paula Dias ingressaram na UAlg através do Concurso Especial para Maiores de 23 Anos. Estes quatro alunos dão-nos a conhecer as suas motivações e partilham connosco a importância que esta forma de acesso teve nas suas vidas.
Ingressou na Universidade do Algarve em 2007, tinha 42 anos. Ana Paula Santos considera que esta forma de acesso é muitas vezes o único recurso que algumas pessoas têm para ingressar no Ensino Superior. Também esta aluna da Universidade do Algarve teve um percurso semelhante a muitos outros que terminaram o 9º ano e tiveram que começar a trabalhar. Mais tarde, já casada e com um filho resolveu fazer o 12º ano. “Depois do meu filho concluir o curso superior, resolvi candidatar-me através do concurso dos Maiores de 23”, explica. Sobre as suas motivações refere ainda que profissionalmente já tinha atingido o topo da carreira e só com um curso superior poderia progredir. Escolheu a licenciatura em Assessoria de Administração, porque era a sua área de trabalho e considera que esta experiência lhe ensinou muitas coisas novas, maneiras de abordar e de resolver os problemas, abrindo-lhe novas perspetivas e horizontes. Ler mais...
Jorge Papa é atualmente diretor geral de dois campos de golfe e ingressou na Universidade do Algarve através do concurso especial para maiores de 23 anos.
Para ele, esta é uma espécie de segunda oportunidade para quem pretende desenvolver conhecimentos e adquirir um grau académico.
Com um percurso pré-universitário atribulado, Jorge Papa mudou-se de França para Portugal com 15 anos de idade. Tinha feito um percurso escolar regular e era um aluno acima da média. Nessa época, as equivalências não eram tão fáceis de obter como atualmente, dominava mal o Português e, por isso, sofreu um recuo de três anos, algo que o deixou bastante desmotivado. Mais tarde, surgiu a oportunidade de trabalhar e estudar em período noturno, o que foi fazendo de forma intermitente, não tendo concluído o ensino secundário. Ler mais...
Sónia Jacinto ingressou no curso de Línguas e Comunicação no ano letivo 2006/2007, tinha 28 anos. Para esta aluna “o concurso especial para maiores de 23 anos é, sem dúvida, uma excelente forma de aproximar aqueles que, por qualquer motivo, não tiveram oportunidade de aceder ao ensino superior aquando do seu tempo”.
Sónia Jacinto chegou à UAlg com o certificado do 9º ano de escolaridade. Ainda frequentou o 10º ano (na área de desporto), que não chegou a concluir porque na altura preferiu trabalhar e adquirir autonomia própria. No entanto, sempre manteve a vontade de ter um curso superior e, por isso, uns anos mais tarde chegou a frequentar o ensino secundário recorrente. Por vários motivos, sentiu-se desmotivada e desistiu. Trabalhou sempre na área da hotelaria e turismo e chegou a emigrar para Londres, durante dois anos, onde aproveitou para consolidar os seus conhecimentos da língua inglesa, tendo adquirido o Certificate in Advanced English (CAE) pela Cambridge. Ler mais...
Paula Dias terminou o 12º ano de escolaridade em 1993, altura em que iniciou o seu percurso no mercado de trabalho. Porém, nunca colocou de lado a hipótese de conseguir ingressar num curso superior, objetivo que foi adiando com receio de não conseguir conciliar a vida familiar, o trabalho e os estudos.
Para esta aluna, o curso de preparação para os maiores de 23 teve uma grande importância no seu ingresso porque sem esta ajuda seria muito mais difícil estudar os conteúdos. “Sem este curso, talvez até nem tivesse tentado!”.
Paula Dias optou por Gestão de Empresas porque “tinha um sonho por realizar, um objetivo por atingir, algo que não podia adiar mais”. Por outro lado, a escolha do curso está ainda ligada à sua área de trabalho e ao querer aprofundar os seus conhecimentos. |
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