Newsletter Institucional da Universidade do Algarve

Nº 6 - março de 2012

 

Opinião

 

E Marrocos aqui tão perto


Entre os dias 13 e 17 do passado mês de fevereiro, eu, uma colega da Licenciatura em Artes Visuais e mais 9 alunos do Mestrado em Comunicação, Cultura e Artes, estivemos em Marraquexe, a cidade Vermelha (ou Ocre?) próxima do sopé da cordilheira do Alto Atlas, a fim de participarmos num workshop de serigrafia, organizado pela Escola Superior de Artes Visuais de Marraquexe, em colaboração com a Universidade Cadi Ayyad. O workshop seria orientado pelo artista visual marroquino Moulay Youssef el Kahfai, com quem tivemos um contacto privilegiado a muitos títulos. A visita teve o apoio logístico do Cônsul Honorário do Reino de Marrocos, o Sr. Arquitecto José Alberto Alegria, que nos facultou contactos e informações, os quais viriam a ser preciosos durante a nossa estada. O Presidente da Universidade Cadi Ayyad e a Doutora Ouidad Tebba, Directora da Faculdade de Letras e Ciências Humanas, receberam-nos com muita atenção e simpatia, disponibilizando as instalações da universidade para nos acolher durante a nossa permanência na cidade.


Apesar de a visita acabar por ter um carácter eminentemente informal, devido a uma série de vicissitudes, o resultado da mesma foi extremamente proveitoso como instrumento de aprendizagem intercultural, funcionando como um projeto pedagógico, digamos, alternativo, no campo das vivências e das experiências humanas.


O contacto com outras realidades socioeconómicas e culturais, com outras dimensões de densidade humana e com valores, atitudes e comportamentos diferentes, podem criar condições de crescimento nos jovens visitantes, levando-os a relativizar as suas certezas e referentes culturais, sensibilizando-os na compreensão do outro, ajudando-os a crescer como seres humanos, com maior tolerância e solidariedade.


A experiência vivida em Marraquexe sugere-nos que diferentes formas de deslocação de alunos e professores a contextos culturais como os que visitámos poderiam proporcionar experiências e vivências importantes para os professores e alunos portugueses e, reciprocamente, para professores e alunos marroquinos que tivessem a intenção de frequentar ou trabalhar em estabelecimentos de ensino portugueses.


O norte de África, a Europa, o Mundo vivem momentos de profundas alterações e ruturas e as novas realidades exigem uma preparação de todos para a mudança e para as transformações com que somos confrontados, cabendo à escola, no processo ensino-aprendizagem, um papel de responsabilidade maior, preparando os jovens para essas mudanças e para o desenvolvimento de competências culturais que estimulem o sentido crítico e a capacidade de abertura e adaptação às novas realidades, propondo uma educação intercultural que tenha como meta o abandono de vez de eventuais atitudes etnocêntricas e preconceituosas.


A interação entre jovens oriundos de diferentes culturas, como o caso de Portugal e Marrocos, será sempre uma mais-valia para todos os implicados, saindo o autoconhecimento reforçado, uma vez que, ao dar-se a conhecer ao outro, está simultaneamente a refletir-se sobre a sua própria pessoa, a sua cultura e a sua história. A partilha de experiências, a reflexão sobre diferenças e semelhanças culturais e comportamentais poderão ser fundamentais no que se refere aos aspetos cognitivos das pessoas envolvidas, reforçando a compreensão mútua e abrindo novas perspetivas no campo das relações de cooperação e desenvolvimento.


A cidade de Marraquexe tem muito para oferecer e, durante os dias que tivemos à nossa disposição, pudemos visitar a Medina de Marraquexe (Património Mundial da UNESCO), a praça Djemaa el Fna, a mesquita de Kutubia, o souk (mercado tradicional de configuração labiríntica), a Madrassa Bem Youssef, os Jardins Majorelle, entre muitos lugares que ficaram marcados no nosso mapa de experiências culturais. Ficou-nos um enigma por resolver: o caos do trânsito da cidade é assustador com pessoas a pé, de carro, de motorizada (foi-nos dito que muitos não têm carta…), que se cruzam de forma vagamente simbiótica, mas que não resultaram, durante a nossa estada, em acidentes de viação.


A capacidade de socialização e vontade de comunicar dos marroquinos pareceu-nos não ter limites e o maior ou menor conhecimento da língua francesa por parte dos participantes do nosso grupo facilitou obviamente a comunicação.


A história e a cultura de ambos os países cruzam-se em vários momentos e as afinidades são muitas, como salientou a Doutora Ouidad Tebba numa conversa (em francês, claro), no penúltimo dia da nossa estada. Nessa ocasião, a Doutora Ouidad Tebba teceu os mais rasgados elogios aos portugueses, à sua história e cultura, manifestando o desejo de uma maior aproximação. Foram muitos os que afirmaram a vontade de regressar a Marraquexe. Pessoalmente, eu, que nunca antes tinha estado em Marrocos, estou firmemente convicto que isso acontecerá num futuro próximo.


E deixo aqui o desafio de (re) visitarem o país.

 

Fernando Amaro

Docente da Universidade do Algarve


Para conhecer a opinião de um aluno do mestrado em Comunicação, Cultura e Artes sobre esta viagem clique aqui

 

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